domingo, 31 de julho de 2011

Continuação do capitulo 1.

Queridos amigos e leitores os trechos a seguir podem ser chocantes mais foi tudo verdade.

        Mulher o teu pai era uma pessoa legal, fazia de tudo um pouco, as vezes até me ajudava na limpeza da casa, isso quando ele tava bem, mais ele tinha um grande problema, que era o maior defeito e fraqueza dele, que era o vicio dele com as drogas.

       
            
Uma pausa por favor, eu confeço que ate o presente momento eu não sabia ou não lembrava que meu pai era usuário de drogas, fiquei um pouco chocada quando ela me falou isso, mais também não achei nenhum drama de novela mexicana, achei normal apesar de saber que usar drogas é um erro e também uma fraqueza do homem que se envolve nessa teia de aranha. E quis saber mais sobre meu pai, não o porque dele usar drogas, pois isso eu supus já que meu pai nasceu no dia 2 de Abril de 1955, então ele foi um adolescente jovem, bonito e roqueiro no fim dos anos 60 e inicio dos anos 70, um período onde em todo o mundo as pessoas lutavam pela liberdade, pelo amor, a paz e foi nessa época que surgiu a frase, ‘Sexo, Drogas and Rock N’Roll’, os adolescentes da época também viviam assim, no ‘Paz e Amor’, se liga bicho?
            Nesse período as drogas eram leves, era so a maconha, daí os não satisfeitos criaram o LSD mais conhecido como Lança Perfume, não satisfeitos alguns usavam Opiun e daí por diante os ‘Não Satisfeitos’ foram criando novas drogas e a cada dia drogas mais pesadas. Então infelizmente para minha família, o meu pai foi um jovem como muitos da época que eram desprovidos dos malefícios que essas drogas podem causar em seu futuro. Minha mãe disse que ele era usuário de drogas desde a adolescência, mais quando ela conheceu ele, ela não fazia idéia de que ele tinha esse problema, porque ele sempre aparentou ser muito bonito e saudável e ele nunca demonstrou ou se quer falou pra ela que tinha esse problema.
        Ela disse que so descobriu por que teve uma vez que ela estava grávida de mim isso já la na Suíça e o meu pai havia sumido já fazia bem uns 3 dias, até pra minha avó Madeleine (que é a mãe do meu pai) ela ligou, mais a mesma nada disse sobre o problema do meu pai e também não sabia onde ele estava.
- Era sempre assim mulher, quando ele saia com os amigos dele pra se drogar, ele saia e passava dias sem voltar pra casa e eu ficava doidinha em casa sem saber onde ele tava ou como ele estava. Até que uma vez um amigo dele apareceu la em casa, perguntando pelo o teu pai e eu não fazia idéia de onde ele estava. Esse suposto amigo do teu pai queria comprar drogas e ele me deu a entender que teu pai vendia drogas pra ele, como eu não sabia de nada, so disse que não sabia onde tava o Phellipe e não sabia onde ele guardava as drogas dele.
         Quando eu fechei a porta, fiquei furiosa em descobrir que o teu pai usava drogas e não tinha me dito nada, ai vasculhei a casa inteira até eu achar mulher, estava bem escondidinho enrolado em um saco entre umas roupas na parte de cima do guarda-roupas, havia uma colher, um saquinho com um pó branco e uma seringa, puxa vida eu fiquei passada, era heroína, teu pai gostava de se picar e eu não sabia, nunca havia percebido isso, sempre o corpo dele era perfeito nenhuma mancha de picada no braço, bixa eu já trabalhei como enfermeira sei reconhecer a picada no braço de alguém, mais o braço do teu pai não se via nada. Depois de dias sumido ele chega em casa com a cara mais lavada do mundo e a gente começa  a brigar sobre o assunto sabe, mais nada muda, eu não queria voltar pro Brasil e também queria ajudar o teu pai a parar de se drogar sabe. Então eu passei por um período muito difícil por que eu já tava com uns 7 meses grávida de tu e ele mais uma vez havia sumido, ele me deixou sozinha no apartamento sem nenhum dinheiro e eu não tinha ninguém pra me ajudar, eu passei quase uma semana so com um pacote de macarrão, doida de fome e grávida, pense foi horrível, ate que um desses amigos do teu pai apareceu la pra comprar droga, na hora eu corri pra procurar se o teu pai tinha deixado alguma coisa dentro de casa, ai eu achei e vendi mesmo o bixa, porque se eu não vendesse eu ia passar fome e não tinha ninguém pra me ajudar.
           Outra pausa pra pegar fôlego. Pesado ein essa historia, mais foi tudo verdade segundo a minha mãe.
- Tu nasceu de uma raiva que o teu pai me fez. Eu tava com 7 meses,  faltava uns 10 dias pra completar 8 meses de gestação, ai eu e o teu pai agente teve uma briga tão feia, se não me engano foi por causa das drogas dele e das bebidas, eu pegava as bebidas dele e jogava tudo fora, mais era tudo em vão, que eu tive um ataque cardíaco e  tive que ir pro hospital e o taxista nada de querer me levar, porque la na Suíça se eu morresse dentro do taxi dele ele podia ser considerado culpado. Mais ai ele acabou me levando, isso eu fui sozinha pro hospital. Chagando la eles tiveram que fazer o parto na hora, depois o medico me disse que ou eu ou você íamos morrendo no parto, porque eu já tava quase tendo uma Eclampse na hora do parto e que segundo as expectativas deles uma de nos duas morreríamos, mais não sei porque Deus foi tão grande que estamos aqui as duas vivas e com saúde.
        Tu nasceu no dia 21 de Abril de 1990 as sete e quarenta da manhã, medindo 52cm com 3,330 kg nasceu grandona, cabeluda e  a cara do teu pai todinha. Agora ele não podia nem negar que era filha dele, eu achei tão bom, pense lavei minha alma. Foi tão interessante, tu saiu até na capa do jornal de Neuchâtel, eles te chamaram de arco-íris a noticia dizia assim: ‘Nasce hoje em Neuchâtel (e vários detalhes) a pequena arco-íris’. Ei bixa mais num é pra ficar se sentindo não (risos), porque la em Neuchâtel isso é normal eles fazem essas reportagem todos os dias, é porque la dificilmente tem algum crime pra eles noticiarem, então eles escrevem de quem nasceu, quem casou, quem morreu, essas coisas que aqui no Brasil quase não acontece, não de falar de pessoas comum ele podem ate noticiar quem nasceu ou morreu mais aqui so falam dos famosos.
         Quando o teu pai te viu, ele ficou louco por ti, te chamava de princesa, nossa senhora ele era louco, louco por ti mulher. E a tua avó quando foi te visitar la no hospital que eu pensei que ela ia querer te matar (risos), bixa ela te pegou nos braços, tu toda molesinha ainda sabe e te levou pra janela do quarto, abriu a janela e te ergueu pra fora dela, eu dei um grito achando que ela era louca e tal, poruqe tava nevando um frio desgraçado e ela te pos pra fora tu nem tava bem agasalhada nem nada, ai ela disse:
- Calma Gessinha, aqui na Suíça quando uma criança nasce no inverno é assim que agente ‘batiza’ a criança, é pra ela se acostumar logo com o frio.
Ai ela te tirou da janela e te devolveu pra mim, mulher eu quase que mato a velha.


ps: a vida de uma pessoa pode ser curta ou longa, mais certamente se ela veio para marca a vida de muitas outras, essas coisas irão acontecer , nos não temos o direito de jugar a ninguém, por suas atitudes, pois não sabemos o tamanho da cruz que 'o(a) mesmo(a)' carrega e o quanto ele aguenta carregar de peso.

Obrigado a todos pela atenção.

Elisa Tripet

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Nooossa essa história sem dúvida merece um livro!!
    bjus Lili!

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